Alvorecia brumas se dissipavam no chão meus pés crispavam eu os ouvia Alvorecia gotas orvalhavam minha cabeça afagavam atenta em mim minha voz sem fim eu ouvia
Nuvens brancas sobrevoam minha cabeça abrandam qualquer sentença que me brota em indagação são tão brancas em suas leves formas sem achaques ou interpelação nuvens brancas sobre mim desfilam e assim me inspiram me giram para que eu encontre consolação
Calado, atado adentro do seu naco assim como num buraco que ele próprio escavou não vê o céu deste ângulo grudado à terra num retângulo de terra que ele próprio se enterrou
Silêncio profundo o som olvido do mundo ouço a própria voz docilidade serena faz minha noite amena compraz estar a sós comigo comungo a presença escrevo a sentença ouço meu som no silêncio que exala o adentro de todos nós
Lais Maria Muller Moreira todos os direitos reservados
De um passado equidistante de uma terra tão distante a saudade que brotou de pudores vãos e ocultos de amores tão incultos do que ficou olhos fixos na parede como quem tem tanta sede do que restou candelabro sobre a mesa acende o rastro da tristeza do que queimou